quinta-feira, 22 de julho de 2010

cereal quiller



o ar estava pesado...

as dobradiças rangeram sob o peso da porta...

passos faziam ressoar o soalho,

aproximou-se do armário, cauteloso

não previndo o que poderia acontecer numa fracção de segundo...

praguejando, desconsiderou a familia do carpinteiro...

... pobre sra que mais não fez que incentivar o filho a enveredar

pela arte do mobiliário na senda do que já 3 gerações lhe exigiam...

o dedo grande do pé tinha acertado em cheio na perna da mesa...

escolheu cuidadosamente o que lhe pareceu mais apelativo...

decidido abriu a gaveta...

um olhar maquiavélico, focou-se na maior faca que ali estava...

sentiu-lhe o peso, o toque na sua mão...

uma sensação de poder atravessou-o...

o vento assobiava na janela, lembrando-o da roupinha estendida,

mais uma vez, tinha de ir pedir a roupa interior á vizinha do r/c..

sentiu que era mais um sinal...

hoje seria o dia!

dum só golpe,

impiedoso cortou-o...

sentindo cada fibra a despegar-se,

devia estar a desmembrar cada nano particula,

separar cada atomo...

eufórico, ainda de faca na mão

mirou-se, orgulhoso, no reflexo do vidro escuro...

soturno o micro ondas apitou...

deu um salto, os musculos tensos, retesados...

pegou-lhe sentido o calor na sua mão...

escaldando-se, largou a pesada faca...

... pobre sra que mais não fez que pedir ao Sr. Antunes que desse emprego ao filho na cutelaria Antunes e Ca, porque o madraço cavar e regar não era com ele...

o sangue escorria num fino fio pelo mosaico frio...

uma tontura sobreveio...

desemparado, estatela-se, batendo com a cabeça na bancada em marmore de moleanos, relvinha se querem saber...

... nem a Sra já insultou, livrou-se esta, do peso de ter obrigado o petiz a rumar a Pero Pinheiro...

e, ali ficou, a esvair-se em sangue, nomeadamente, da cabeça mas também do pé...

numa qualquer 5ª f... ( afinal havia uma boa razão para alguém não gostar das ditas)

sem animal invertebrado...

com o gemeo em si...

portuguêsmente...

deixou a vida, segue dentro de momentos...a morte...


" Koniec "


como diria o grande Granja...


timidamente, primeiro ao fundo, espalhando-se de seguida a toda a sala...


ouvem-se aplausos...


clap clap clap


era um sucesso a fita!


" cereal quiller "


numa sala próximo de si!


Tenha medo, tenha muito medo!


Vosso, ICA men, M. i...




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