domingo, 15 de agosto de 2010

Este país não é para nós...


Não é!
Para nós que pertencemos, ou pertenciamos, já é plausivel a duvida, á classe média...
Para nós que pertencemos aos que vivem do seu trabalho, sem subsidios, sem mordomias, sem ajudas ou estimulos...
Para nós que acreditámos existir um rumo, uma politica ou estratégia de futuro na classe que nos governa, governando-se em negociatas e compadrios, sem julgamento ou castigo...
Vivemos dias dificeis, esmagados por uma terrivel, mas ao mesmo tempo tão simples, lógica.
Senão vejamos;
Tudo começa a complicar-se com a adesão à, então, C.E.E., ideia defendida como o paraiso, com mundos e fundos, para, bem á maneira que tão bem dominamos, estoirar em mordomias, envelopes e muitos bens materiais não produtivos.
Vinha dinheirinho para abater barcos da frota pesqueira, afanosamente logo os armadores aproveitavam para comprar mais uma viatura de alta cilindrada!
Vinha dinheirinho para arrancar oliveiras e vinha, logo se investia numa nova casinha, com 20 quartos ar condicionado e parabolica!
Dinheirinho para cursos de formação, significava chorudas receitas, partilhadas entre quem os ministrava e os frequentava sem ter a minima intenção de deles retirar qualquer proveito profissional!
E fomos depauperando a maquina produtiva deste jardim á beira mar plantado sem que quizessemos sequer pensar que quando a esmola é grande o pobre deve desconfiar!
Seguiu-se a adesão ao Euro, mais uma ideia, partilhada pela grande maioria, de que essa era a panaceia para termos o nivel de vida dos outros parceiros monetários.
Vivemos então tempos de vacas gordas, quais cigarras de verão...
Mas o inverno esperavamos inexoravel e fatidicamente...
Assim sem produzirmos practicamente nada, sem mecanismos cambiais que nos permitissem criar vantagens que não pela competitividade nacional, ao mesmo tempo com vicios de ricos, afogados em crédito, deparamos com a crise, de cariz muito nacional, disfarçada durante anos pela pujança do crescimento da economia mundial, e descambou na actual situação de puro desastre...
E nesta redutora lógica chegamos ao cerne da questão!
Somos, enquanto portugueses comuns, parte do problema que não da solução!
Confusos?
Sigam, se para isso ainda aí continuarem, não tenham ido ver como o glorioso levou dois da Académica em casa, assunto de vida ou de morte para 6 milhoes de portugueses, o meu raciocinio:
Não produzindo nada, tudo o que consumimos é importado, donde, o importante é que não consumamos, ao contrário do que vem nos livros, a retoma nacional passa não pelo aumento da procura interna, mas pela sua completa anulação...
Quanto menos importarmos, seja bens consumiveis, duradouros ou tão simplesmente energéticos, como o gás ou o petroleo, mais depressa equilibramos a balança comercial!
Simples não é?
O limite para a contenção é a sustentabilidade da situação social do País.
Desde que as classes mais "desfavorecidas", mais reenvidicativas, sejam subsidiadas, esta sustentabilidade mantrer-se-á em niveis aceitaveis, com escaramuças esporadicas, por razões menores.
Ficam de fora desta lógica aqueles que, envergonhados, se mantêm em casa, enquanto o banco não lhas penhora, sem conseguirem satisfazer as mais basicas necessidades alimentares ou de saude das suas familias...
Não se imagine que é exagero, olhem á vossa volta, os amigos que ficam desempregados, sem dinheiro para o colegio dos filhos e que mais cedo ou mais tarde, vão entrar em falencia acelerada e irreversivel.
Muitos ainda não perceberam a total extensão do que se lhes depara, continuando a carregar no cartão de crédito á espera do milagre que teima em surgir...
E para agravar a situação, a classe alta, cresce sem preocupações, atentem na quantidade de viaturas novas de gamas mais altas com que se cruzam nas estradas!
E não pensem que é crédito ao desbarato, porque hoje quem consegue crédito tem de ter posses para o pagar, e de que maneira!
É uma visão negra, redutora na opinião de muitos, mas façam o favor de pensarem bem, vão ver que talvez esta seja uma realidade bem mais plausivel do que á primeira vista vos aparenta...
Soluções? Não vejo, somos governados pela geração J e as cores nada mudam, corporativismo a toda a prova, telhados de vidro em todos os quadrantes e sobrevive o lema, bem português, se eu não me aproveitar outro se aproveitará!
Vosso, desbragado, nomedamente, M.i...

2 comentários:

  1. Como opinativa que sou cá vai!
    O portuguesinho de uma forma generalizada gosta de parecer e não de ser! Por isso tem um carro que não pode pagar,compra roupa que não pode pagar,vai de férias para destinos que não pode pagar e mantém estilos de vida que não pode sustentar!
    Esta crise que vivemos é fruto do facilitismo ao crédito mas também é fruto deste hábito bem portuguesinho de não saber assumir-se como classe baixa e querer ser e parecer classe média/média-alta ou alta!
    Eu detesto créditos!
    Detesto cartões de crédito!
    Tenho tudo o que posso ter e o que não posso não tenho!
    Se calhar por isso mesmo quando a crise me bateu à porta e levei com um cartão vermelho do meu empregador pôr-me de pé e recomeçar do zero foi mais fácil do que poderia ter sido!
    A culpa não é do Governo apenas mas de quem se deixa ser governado por eles!
    A diferença começa na casa de cada um de nós! Ser genuíno é uma delas!

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  2. Assertiva como sempre!
    E coberta de razão também!

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